Pesquisa · Economia
Sonho de vitrine global ou herança de dívidas? A FEA SB comparou quatro edições dos Jogos Olímpicos para entender o real impacto econômico sobre as cidades-sede.
Sediar os Jogos pode impulsionar a economia e a imagem de um país, mas os custos bilionários trazem o risco de endividamento a longo prazo. A pesquisa analisa quatro casos que resumem esse contraste: Tóquio 2020, Rio 2016, Montreal 1976 e Los Angeles 1984.
Tóquio 2020, realizada em plena pandemia e quase sem público, teve perda de cerca de US$ 800 milhões só em ingressos, custo acima de US$ 15 bilhões e impacto negativo estimado de 1,4% no PIB japonês — com 55% da população contra o evento. Já o Rio 2016, com R$ 39 bilhões investidos, gerou, segundo estudo da FGV, R$ 512 bilhões para o PIB e muitos empregos, mas convive com críticas quanto ao uso do dinheiro público e à subutilização das instalações.
Nos extremos estão Montreal 1976, lembrada como um dos piores exemplos de gestão — custo sete vezes maior que o previsto e dívida que levou mais de 30 anos para ser quitada — e Los Angeles 1984, o modelo de sucesso: apoiada em infraestrutura já existente e financiamento privado, terminou com lucro de US$ 223 milhões.
A lição é clara: o legado só é positivo com planejamento para o uso pós-evento, governança transparente, avaliação realista de custos e benefícios e participação de capital privado para reduzir os riscos financeiros.