Pesquisa · Olimpíadas
De brincadeira de surfistas na Califórnia a modalidade olímpica: a história do skate é também a de um estilo de vida que moldou moda, música e cultura urbana.
O skate nasceu na Califórnia, no fim dos anos 1940, quando surfistas, sem ondas para surfar, puseram rodinhas em pranchas para "surfar no asfalto". Rudimentar e perigoso no início, ganhou forma com avanços de material — como as rodinhas de uretano criadas por Frank Nashworthy em 1971 — e com o nose e o tail, que abriram espaço para manobras mais complexas. Nos anos 1980, a seca na Califórnia deixou piscinas vazias, que viraram os primeiros bowls e consolidaram o skate vertical.
A modalidade estreou nos Jogos de Tóquio 2020, escolhida pelo COI para atrair o público jovem. Divide-se em Street (circuito que imita a rua, com corrimãos, rampas e degraus) e Park (pista com curvas e bowls para manobras aéreas), ambos no masculino e no feminino. Mais que um esporte, o skate é tratado por seus praticantes como um lifestyle de liberdade e irmandade.
O Brasil é uma potência na modalidade: Kelvin Hoefler (prata em Tóquio), Rayssa Leal (a mais jovem medalhista olímpica da história do país, com pódios em Tóquio e Paris), Letícia Bufoni — referência na inclusão feminina no esporte —, além de Bob Burnquist, Sandro Dias, Pedro Barros e Augusto Akio (bronze no Park em Paris 2024). A força do país está em unir nomes consagrados a uma nova geração de prodígios.
Por décadas marginalizado — o skate chegou a ser proibido em São Paulo (1988) e na Noruega —, o esporte se legitimou pela contracultura, pela MTV e pelo X-Games da ESPN. Virou motor do streetwear (Nike SB, Adidas Skateboarding, collabs como o Nike SB Dunk Low da Rayssa Leal) e tem laços profundos com a música, do punk ao hip-hop, tendo no Charlie Brown Jr. e em Chorão símbolos dessa identidade no Brasil.