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Pesquisa · Mercado

Análise do mercado de transferências: 2024.2

Por Caio Nishiye, Eduardo Cravo, Júlia Seith, Victor Rezende e Vitor Vieira · fevereiro de 2025

Por que jogadores como Memphis Depay passaram a trocar a Europa pelo Brasil? A resposta mistura SAFs, casas de apostas, economia e geopolítica.

De 2019 a 2024, os gastos dos clubes brasileiros com contratações dispararam e o Brasileirão passou a receber jogadores europeus que antes não viriam. A Série A chegou a um recorde de 131 estrangeiros (nove deles europeus) de 18 nacionalidades — sendo que, até 2022, o máximo de europeus numa mesma edição era três. Uma mudança de regra, em março de 2024, elevou para nove o limite de estrangeiros relacionados por partida. O caso símbolo foi o do neerlandês Memphis Depay, de 30 anos, que deixou o Atlético de Madrid para assinar com o Corinthians um contrato de cerca de R$ 70 milhões em 28 meses — dos quais 81% financiados pela casa de apostas patrocinadora do clube.

No plano econômico, dois fatores puxam o mercado. As SAFs (Sociedades Anônimas de Futebol), já presentes em 8 dos 20 clubes da Série A, ampliaram os investimentos e inflacionaram as contratações — o Botafogo, por exemplo, comprou Thiago Almada por R$ 123 milhões, a contratação mais cara da história do futebol brasileiro. E as BETs (casas de apostas) patrocinam 18 dos 20 clubes, injetando mais de R$ 450 milhões por ano. A receita dos clubes cresceu 274% entre 2014 e 2023, e só na janela de 2024 a Série A gastou mais de R$ 2 bilhões — o dobro do ano anterior. Essa inflação, porém, penaliza os clubes menores e concentra renda nos mais ricos.

Há também um pano de fundo geopolítico. Ligas que antes atraíam brasileiros perderam força: a turca, em meio à crise econômica e política; a chinesa, após cortes regulatórios no pós-pandemia; e as ligas russa e ucraniana, esvaziadas pela guerra. Com isso, o Brasil — mais estável, competitivo e dono da hegemonia na Libertadores desde 2019 — virou um destino atrativo tanto para jovens promessas quanto para veteranos.

A pesquisa pondera os dois lados: se os "medalhões" elevam o nível técnico, a visibilidade e as receitas (o anúncio de Depay disparou o engajamento do Corinthians nas redes), eles também podem tirar espaço dos jovens da base. Para o futuro, a tendência é de mais profissionalização — scouting orientado por dados, como no Botafogo, internacionalização e novos patrocinadores —, com o desafio de não agravar o desequilíbrio entre grandes e pequenos.

Leia a pesquisa completa no Medium da FEA SB.