Pesquisa · Fisiculturismo
Estética ou muscularidade? A FEA SB conta a história do fisiculturismo feminino, suas categorias e a controvérsia — mais comercial do que esportiva — que quase apagou as atletas mais musculosas.
O dilema nasceu em 1985, com o documentário "Pumping Iron II: The Women", que mostrou a rivalidade entre a campeã Rachel McLish, de físico considerado "estético", e a ex-halterofilista Bev Francis, muito mais musculosa. Dessa disputa surgiu a pergunta que acompanha o esporte até hoje.
No feminino, o fisiculturismo se divide em categorias como Bikini Fitness, Wellness, Body Fitness e Women's Physique, cada uma com critérios próprios de volume e simetria. Entre as maiores competições estão o Ms. Olympia e os campeonatos da IFBB; entre as lendas, nomes como Iris Kyle, Lenda Murray e Andrea Shaw. Para a pesquisa, a entidade entrevistou Diana Monteiro, bicampeã mundial e presidente da confederação brasileira da modalidade.
A parte mais polêmica é administrativa. A partir de 1992, sob o argumento de preservar a "feminilidade", federações passaram a desencorajar físicos muito volumosos — chegando a orientar, em 2004, uma redução de 20% na muscularidade. O ponto mais crítico foi o cancelamento da categoria Open do Ms. Olympia em 2015, revertido apenas em 2020, quando novos donos do torneio reintroduziram a disputa.
Por trás dessas decisões, aponta o texto, havia sobretudo motivos comerciais: baixa audiência e venda de ingressos das provas mais musculosas. Hoje, o crescimento do esporte caminha junto com as redes sociais e o estilo de vida fitness — engrenagens que, bem usadas, se retroalimentam e podem impulsionar o fisiculturismo no futuro.