Pesquisa · Você Sabia?
Arthur Friedenreich: Na primeira Copa do Mundo, em 1930, diversos atletas de fora do Rio de Janeiro, incluindo Friedenreich — considerado a primeira grande estrela da época amadora do futebol —, ficaram de fora da convocação devido a disputas por poder e reconhecimento na estrutura esportiva brasileira, entre a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), entidade do Rio de Janeiro, e a Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA).
Com a ausência de Friedenreich, a seleção que passou a ser chamada de "carioquinha" em 1930 acabou sendo eliminada na fase inicial do torneio, com uma vitória contra a Bolívia e uma derrota para a Iugoslávia.
Fontes: trivela.com.br · bbc.com
Preguinho (João Coelho Netto): O atleta do Fluminense, artilheiro e capitão da seleção brasileira na Copa de 1930, acabou ficando de fora da convocação de 1934 que, mais uma vez, foi marcada por disputas políticas — dessa vez envolvendo a profissionalização dos clubes no país, com a CBD apoiando o amadorismo e a recém-criada Federação Brasileira de Futebol (FBF) apoiando o profissionalismo.
Com essas polêmicas gerando a ausência de diversos atletas, a seleção brasileira acabou sendo eliminada logo na primeira partida na Copa de 1934, com uma derrota para a Espanha — edição essa que era no formato mata-mata.
Fontes: museudapelada.com · oglobo.globo.com
Teleco (Uriel Fernandes): Atleta tricampeão paulista e cinco vezes artilheiro do campeonato pelo Corinthians, acabou sendo cortado da seleção por não possuir um passaporte.
A seleção brasileira, desta vez com seus principais jogadores (com exceção de Teleco), terminou a campanha com 3 vitórias, 1 empate e 1 derrota, ficando em terceiro lugar na Copa.
Fontes: museudapelada.com · oglobo.globo.com
Zizinho (Tomás Soares da Silva): Melhor jogador da Copa de 1950, no auge de sua carreira pelo Bangu, acabou sendo cortado da seleção em 1954. Os motivos seriam o desentendimento com o treinador "Zezé", que achava o jogador muito individualista — um fato estranho, uma vez que o próprio treinador exaltava essa característica em seus jogadores.
Houve também uma polêmica no Campeonato Sul-Americano de 1953, em que Zizinho, em nome dos atletas da seleção, se queixou da menor remuneração dada pelo campeonato em comparação ao Pan-Americano. Além disso, o jogador se ausentou do jogo contra o Paraguai após sentir dores musculares depois de tomar uma injeção indicada pelo médico da delegação. Com isso, o craque acabou sendo afastado da seleção e impedido de jogar na Copa do Mundo.
Com a ausência de Zizinho, a seleção brasileira acabou sendo eliminada pela Hungria de Puskás nas quartas de final.
Fontes: museudapelada.com · oglobo.globo.com
Julinho Botelho: Titular na Copa de 1954, o jogador se recusou a participar da Copa do Mundo por acreditar que os jogadores que atuavam no Brasil mereciam mais participar do torneio — o que, no fim, acabou dando lugar a Garrincha na seleção.
Evaristo de Macedo: Presente durante as eliminatórias, acabou não sendo liberado pelo Barcelona para a Copa do Mundo; em seu lugar foi Pelé.
Pelé e Garrincha: Os craques da seleção de 1958 se envolveram em uma polêmica com o psicólogo da seleção, João Carvalhaes. Na época, inspirada pelos métodos europeus, a seleção brasileira decidiu contratar um psicólogo para ajudar a formar a comissão técnica, e Carvalhaes logo decidiu realizar testes com os jogadores.
Os resultados apontaram que Pelé era "infantil" e não tinha o espírito de luta necessário para a seleção, e que Garrincha não era considerado responsável o suficiente. Com isso, o Dr. João Carvalhaes sugeriu a não convocação de ambos para a Copa do Mundo — algo que o treinador Vicente Feola rejeitou veementemente.
Com a convocação dos dois, o Brasil se sagrou campeão do mundo pela primeira vez, com Pelé artilheiro e Garrincha com 2 assistências, sendo fundamentais para a conquista.
Fontes: imortaisdofutebol.com · bbc.com · uol.com.br
Nilton Santos: O lateral-esquerdo foi alvo de fortes críticas da imprensa devido à sua idade avançada para os padrões da época, aos 37 anos. Enquanto parte da torcida defendia sua vaga, muitos questionavam se ele ainda tinha condições físicas para o mundial. O técnico espanhol Helênio Herrera, inclusive, apontou Nilton como um "velho decadente", instruindo seus jogadores a atacarem sempre o seu setor.
No final, Nilton Santos calou as críticas, fez uma excelente Copa e ajudou o Brasil a conquistar o bicampeonato.
Fontes: niltonsantos.com.br
Dário José dos Santos (Dadá Maravilha): Na época do regime militar, o presidente general Emílio Garrastazu Médici pediu ao técnico da seleção, João Saldanha, a convocação de Dadá Maravilha — algo que o técnico recusou.
Com isso, Médici interferiu na seleção para que Saldanha fosse demitido; seu sucessor no cargo foi Mário Jorge Lobo Zagallo, que por fim convocou o atleta do Atlético Mineiro.
Mesmo sendo reserva durante toda a Copa, o Brasil se sagrou tricampeão do mundo em 1970.
Fontes: ge.globo.com
Pelé: Mesmo a pedido da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e do próprio presidente Ernesto Geisel, Pelé recusou-se a voltar à seleção brasileira depois de se aposentar dela, em 1971. O atleta alegou na época estar querendo abrir espaço para a nova geração de jogadores que o Brasil estava produzindo e, anos depois, disse que não retornou como protesto em relação à ditadura.
Com a ausência de Pelé, o Brasil terminou a Copa do Mundo em terceiro lugar.
Fontes: ge.globo.com · uol.com.br
Paulo Roberto Falcão: Considerado um dos melhores jogadores do mundo na época, bicampeão brasileiro (1975 e 1976), acabou sendo cortado da seleção — o que foi considerado um dos maiores absurdos cometidos pelo então jovem técnico Cláudio Coutinho.
A convocação foi marcada como "bairrista" por favorecer fortemente atletas do eixo Rio–São Paulo e desprezar atletas de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.
Com essas polêmicas, o Brasil, mais uma vez, ficou em terceiro lugar na Copa do Mundo em que a Argentina se sagrou campeã.
Fontes: trivela.com.br · museudapelada.com
Reinaldo: O atleta do Atlético Mineiro, considerado um dos melhores centroavantes do país na época, acabou sendo cortado da seleção por participar de movimentos contra a ditadura.
Sem Reinaldo, a seleção brasileira acabou parando na segunda fase da Copa do Mundo de 1982, em um grupo com a Argentina e a campeã daquela edição, a Itália.
Fontes: estadao.com.br
Romário: No fim de 1992, Romário se desentendeu com a comissão técnica da seleção brasileira, especificamente com o auxiliar-técnico Zagallo. O motivo era a rebeldia de Romário, que não aceitava ser tratado como reserva e disse isso abertamente; a comissão técnica o puniu, afastando-o da seleção por quase um ano.
Após exibições desastrosas da seleção durante as eliminatórias, e com a chance real de, pela primeira vez, ficar de fora da Copa do Mundo, Parreira — então técnico — cedeu ao clamor popular e convocou Romário para o jogo decisivo contra o Uruguai, no Maracanã, em 1993. O atacante foi o melhor em campo e garantiu a classificação brasileira após fazer os 2 gols da vitória por 2 a 0.
No fim, a opinião popular venceu, e o então astro do Barcelona foi convocado para a Copa do Mundo, liderando o Brasil ao tetracampeonato com 5 gols e sendo eleito o melhor jogador da competição.
Fontes: nsctotal.com.br · playmakerbrasil.com.br
Romário: O atacante foi titular absoluto durante todo o ciclo da Copa do Mundo de 1998, formando dupla de ataque com Ronaldo Fenômeno. Romário foi cortado da lista final quando a seleção já estava na concentração, na França, após sofrer um estiramento muscular na panturrilha direita durante um treino. Após avaliações, a comissão técnica composta por Zico, Zagallo, o médico Lídio Toledo e o supervisor Américo Faria anunciou que o Baixinho não jogaria o torneio.
A situação gerou revolta em Romário, que, dentre muitas declarações, proferiu a famosa frase: "Safados, mal-caráter, traidores e traíras". Outra história conhecida a partir do corte foi o amistoso entre Flamengo e Internacional, durante a Copa do Mundo, em que Romário marcou um gol — uma "prova" de que estaria apto a disputar a competição.
Fontes: metropoles.com · ge.globo.com
Romário: Em 2002, Romário ficou de fora da lista final de convocados para a Copa do Mundo mesmo sendo o grande jogador do futebol brasileiro: em 2001, havia feito 40 gols em 39 jogos, e em 2002 havia marcado 26 vezes em 24 partidas até a convocação.
Novamente havia grande pressão popular pela convocação do atacante, chegando às vias de fato: um grupo de cinquenta manifestantes, com faixas e cartazes a favor da convocação, hostilizou o treinador e quase virou o táxi de Felipão ao deixar a sede da CBF. Na época, até o presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, se posicionou a favor da convocação de Romário.
As justificativas de Felipão foram: "com aquele tipo de jogador, naquela posição e jogando daquela forma, eu não teria as mesmas condições. Teria que jogar de uma forma diferente. Não sei se as características dos jogadores casariam perfeitamente"; e "não sou o único que teve problemas com Romário. A verdade é que há jogador que não se comporta bem, que não se sente à vontade em grupo, que envenena o ambiente, que acha que o passado é mais importante que o futuro e que, no final das contas, irrita todo mundo. São como corvos rodeando a sua cabeça".
Ronaldo Fenômeno: Em novembro de 1999, mais de dois anos antes do Mundial de 2002, quando jogava na Inter de Milão, o atacante sofreu uma grave lesão no joelho direito que o tirou dos gramados por cerca de cinco meses. Em seu retorno, em abril de 2000, uma lesão idêntica, no mesmo local, fez com que o atleta ficasse parado por incríveis 15 meses. No período entre abril de 2000 e junho de 2002, Ronaldo havia disputado apenas 19 partidas.
Mesmo com a desconfiança da torcida, Felipão bancou o camisa 9, que correspondeu e foi o principal jogador do pentacampeonato brasileiro, consagrando-se artilheiro daquela Copa do Mundo com 8 gols em 7 jogos. Há ainda a história por trás do icônico corte "cascão": Ronaldo revelou que só fez o corte de cabelo para desviar a atenção das críticas sobre sua condição física.
Fontes: noataque.com.br · espn.com.br · lance.com.br
Ronaldinho Gaúcho, Neymar e Ganso: Após a decepção da Copa de 2006, o Brasil chegava ao Mundial com um elenco consideravelmente mais fraco do que o da edição anterior. Embora nomes como Kaká e Robinho fossem grandes esperanças, havia a sensação de que a seleção precisava de mais atletas capazes de fazer a diferença. Nesse cenário, acreditava-se que os três jogadores poderiam ser o diferencial no grupo brasileiro, trazendo o famoso "futebol arte". No entanto, apesar da pressão da torcida, Dunga deixou Neymar, Ganso e Ronaldinho fora da Copa do Mundo na África do Sul.
As justificativas foram: Ronaldinho estava em declínio técnico e físico após a transferência para o Milan; Neymar era jovem demais e ainda não havia sido testado o suficiente na seleção, já que atuava pelo profissional do Santos havia menos de um ano; e Ganso foi considerado inexperiente por Dunga, que argumentou a lista de acordo com o rendimento dos jogadores nas fases eliminatórias e nos amistosos.
Fontes: playmakerbrasil.com.br · torcedores.com